A noite contou com as palestras dos representantes do NEC, contadores Lucas Luciano Matana e Ema Schultz, além do representante do NUJUR, advogado William Camphorst.
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Núcleos em ação

ACEPB reúne especialistas e debate impactos e caminhos para o setor empresarial em Pato Branco

O auditório da Associação Empresarial de Pato Branco (ACEPB) foi palco, na noite desta terça-feira (21 de outubro de 2026), de um dos debates mais urgentes e discutidos no cenário econômico e trabalhista brasileiro atual: o fim da escala 6×1 e os reflexos práticos da mudança para as empresas. Promovido pela ACEPB através do Núcleo de Contabilidade (NEC) e do Núcleo Jurídico (NUJUR), o evento lotou o espaço com empresários, gestores, profissionais contábeis e jurídicos em busca de orientações sobre o futuro das relações de trabalho.

 

Com a data-limite fixada para o próximo dia 16 de dezembro, a transição gera expectativas, dúvidas e apreensão no meio corporativo. Para destrinchar o assunto sob múltiplos ângulos, a noite contou com as palestras dos representantes do NEC, contadores Lucas Luciano Matana e Ema Schultz, além do representante do NUJUR, advogado William Camphorst, e a participação especial do agropecuarista e empresário Adair Casagrande.

Organização e negociação coletiva como palavras de ordem

 

A abertura dos debates trouxe um panorama técnico sobre a necessidade de adaptação imediata. Segundo o contador Lucas Luciano Matana, do Núcleo de Contabilidade, o momento exige que o empresariado olhe atentamente para dentro de seus quadros organizacionais. "O mais importante para as empresas, para o empresário como um todo, é primeiro olhar para o seu quadro de colaboradores e entender as categorias e o número de horas que cada colaborador faz, em qual tipo de horário ele está enquadrado", alertou Matana. Ele enfatiza que o contato próximo com os sindicatos e a análise rigorosa das convenções coletivas são vitais para mitigar impactos. "Buscar a sua assessoria jurídica para verificar aquilo que pode ser adequado, aquilo que pode ser feito para minimizar esse impacto, e também a sua assessoria contábil na busca de organização de custo e de processo dentro da folha de pagamento."

 

Para a contadora Ema Schultz, a transição impõe uma nova dinâmica mercadológica que exigirá sintonia fina entre patrões e empregados. Questionada sobre o comportamento do mercado diante da lei aprovada, Ema destacou que o impacto abrangerá empresas de todos os portes. "A princípio, o que a emenda diz neste momento é que todas as empresas serão impactadas. Então o fim da escala 6×1, ele já tem data, dia 16 de dezembro. Indiferente se a empresa tem um funcionário ou mil funcionários, ele vai ser impactado", pontuou Schultz. Ela ressalta a importância de aproveitar o período de transição até dezembro para renegociar escalas e alinhar acordos, lembrando que legislações complementares ainda podem surgir para moldar o cenário.

O peso da segurança jurídica e os reflexos no agronegócio

 

A visão jurídica e setorial foi aprofundada pelo advogado William Camphorst, do NUJUR. Camphorst recomendou que o foco principal das empresas neste período de transição recaia sobre as negociações coletivas. "A emenda traz bastante força nas negociações coletivas, acordo coletivo, convenção coletiva. Então, primeiramente, manter uma assessoria bem ligada no sentido das atualizações posteriores, até porque a emenda é a base, mas existem algumas complementações que terão que ser feitas no decorrer do caminho, principalmente nestes dois meses após a publicação", explicou o advogado. Ele lembrou ainda que convenções coletivas vigentes que entrem em conflito direto com a nova lei perderão a validade jurídica após os dois meses seguintes à promulgação.

 

Já o advogado e agropecuarista Adair Casagrande, ao participar do evento externou a preocupação latente de setores produtivos essenciais, como a pecuária leiteira e o transporte de cargas, onde o trabalho ininterrupto é rotina. Casagrande avalia que a medida pode gerar dificuldades severas para pequenos produtores e empregadores que operam com equipes reduzidas. "Eu tenho a impressão que nós vamos ter alguns problemas na área do agronegócio, principalmente nas pequenas empresas ou nas pequenas propriedades rurais", ponderou Casagrande, citando o exemplo de propriedades onde há apenas um funcionário. "Como que ele vai fazer? Ele vai ter que dobrar o custo dele? Os animais no sábado e no domingo precisam de cuidados. É uma situação muito complexa que deveria ser estudada com mais cautela e debatida mais com a sociedade."

Próximos passos para o empresariado

 

O encontro organizado pelos núcleos empresariais NUJUR e NEC na ACEPB deixou claro que, embora o desafio seja imenso, a preparação antecipada é a principal aliada do setor produtivo. Com pouco menos de dois meses até o marco regulatório de 16 de dezembro de 2026, empresários e profissionais liberais da região de Pato Branco têm o dever de revisar contratos, estreitar laços com entidades sindicais e buscar suporte contábil e jurídico especializado para atravessar o período de transição com segurança e o mínimo de prejuízo operacional.

Fonte: Assessoria de Imprensa - Betto Rossatti

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