A Associação Empresarial de Pato Branco (ACEPB) veio a público posicionar-se contrária à retomada do projeto de construção de um novo aeroporto regional na Linha Buriti, em Renascença, a cerca de 22 quilômetros de Pato Branco. Assinado pelo presidente da entidade, Ivan Roberto Orlandini Gonçalves, o documento aponta que o cenário mudou e que os esforços e recursos públicos devem ser concentrados na ampliação da estrutura já existente no município.
Atualmente, o Aeroporto Regional de Pato Branco encontra-se certificado, em operação e passando por uma fase de expansão significativa. Em junho deste ano, a Prefeitura emitiu a ordem de serviço para a construção de um novo terminal de passageiros, com um aporte estimado em R$ 30 milhões, além de melhorias operacionais como taxiway e ampliação da pista. Para a entidade, desconsiderar essas conquistas para iniciar um projeto do zero a poucos quilômetros de distância representa um contrassenso econômico.
O peso dos números e a exigência de transparência
O debate sobre a nova estrutura ganhou força novamente sob a justificativa da criação de um terminal de cargas. Contudo, a ACEPB adota uma postura de rigor técnico: "Não somos contra investir. Somos contra investir sem comprovar."
A associação colocou em xeque a demanda real para o projeto, questionando publicamente:
Qual é a demanda real por transporte aéreo de cargas na região?
- Quais empresas e operadores utilizariam o serviço?
- Quais são os custos de operação e o retorno econômico esperado?
Para a entidade, sem respostas embasadas em dados concretos, a iniciativa corre o risco de se transformar em "apenas uma obra", desvinculada das reais necessidades do setor produtivo do Sudoeste paranaense.
Visão sistêmica da logística regional
Defendendo que o desenvolvimento regional precisa ser analisado de forma ampla, a ACEPB argumenta que os grandes volumes da produção industrial do Sudoeste não dependem exclusivamente da aviação. A instituição propõe que qualquer estudo de logística compare de maneira transparente três frentes:
A implantação de um novo aeroporto;
- A ampliação do Aeroporto Regional de Pato Branco;
- O avanço da malha ferroviária pela região, conectando os principais polos produtivos.
Com mais de 65 anos de atuação histórica nas decisões de Pato Branco e do Sudoeste, a associação reforça que o desenvolvimento em 2026 deve ser guiado por dados atuais e estudos técnicos independentes, e não por diretrizes planejadas há mais de duas décadas. O posicionamento deixa claro o recado: fortalecer o que já está em funcionamento também é gerar desenvolvimento.
Com informações da Carta Aberta da ACEPB (Outubro de 2026).


