O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) tem transformado a rotina dos escritórios de advocacia, trazendo agilidade na gestão de prazos e na elaboração de minutas. No entanto, o uso dessas ferramentas exige cautela, responsabilidade e, acima de tudo, indispensável revisão humana. O alerta foi o tema central do evento "IA na Advocacia: uso ético, responsável e prático", promovido pelo Núcleo Jurídico (NUJUR) da Associação Empresarial de Pato Branco (ACEPB) na noite de quarta-feira (26), no auditório da entidade.
O palestrante da noite, Paulo Horácio, advogado especialista em inovação e membro relator de comissões da OAB-PR, destacou que a tecnologia já é uma realidade irreversível no setor jurídico. Contudo, ele enfatizou os riscos associados ao deslumbramento com a ferramenta e a necessidade de validação técnica das peças processuais. "O advogado tem por obrigação legal fazer a revisão humana de todo o conteúdo gerado por IA, sob risco de responder a processo ético", pontuou Horácio. O especialista citou casos recentes de "alucinações" das ferramentas, episódios em que jurisprudências e citações doutrinárias inexistentes foram geradas e anexadas a autos judiciais sem conferência prévia, gerando notificações e sanções disciplinares.
Para Horácio, o profissional que assina digitalmente a petição assume integralmente a autoria jurídica: "Não adianta tentar justificar perante o tribunal que o erro foi do sistema. A responsabilidade é sempre do advogado. A tecnologia deve ser usada para otimizar o tempo, mas o valor analítico e o compromisso ético são insubstituíveis e puramente humanos".
A coordenadora do NUJUR, Fernanda Maletz, reforçou que a IA se tornou um recurso fundamental de produtividade, especialmente diante do cumprimento de prazos rigorosos, mas ponderou que ela não substitui a capacidade técnica do operador do Direito. "A IA ajuda muito na redução de tempo, mas todo o conteúdo precisa ser revisado. É indispensável o conhecimento prévio da legislação e da jurisprudência para garantir a qualidade da peça antes do protocolo", afirmou.
A advogada Camila Cardoso compartilhou a perspectiva prática do uso dessas soluções no dia a dia dos escritórios, apontando que a automação abrange desde a redação jurídica até a triagem processual, mas exige postura vigilante. "A inteligência artificial veio com tudo, mas não é possível confiar cegamente nas respostas que ela gera. Toda informação precisa ser checada e verificada com rigor antes de ser encaminhada à Justiça", concluiu.



