Iniciativa busca viabilizar infraestrutura pública e gratuita de monitoramento contínuo por satélite, beneficiando mais de 20 municípios da região.
Na reunião semanal da diretoria da Associação Empresarial de Pato Branco (ACEPB) realizada nesta terça-feira, o Engenheiro Cartógrafo responsável pelo projeto, João Pedro Dutra, apresentou os detalhes estratégicos para a implantação da Estação “Pato” da Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo (RBMC). A iniciativa promete transformar o cenário tecnológico do Sudoeste paranaense e de municípios vizinhos em Santa Catarina, suprindo uma lacuna histórica na área de geodésia e posicionamento por satélite.
O desafio da cobertura regional
Atualmente, o Sudoeste do Paraná está fora da área de cobertura adequada da RBMC, rede nacional coordenada pelo IBGE que opera 24 horas por dia monitorando sinais de sistemas GNSS (como GPS, GLONASS, Galileo e BeiDou). Como a faixa ideal de correção em tempo real (RTK) exige proximidade de até 50 quilômetros de uma estação ativa, a ausência de uma base local tornava as atividades de alta precisão mais custosas e dependentes de serviços privados.
Com a implantação da Estação PATO, que será instalada estrategicamente no Aeroporto Municipal Juvenal Cardoso de Pato Branco, a região passará a contar com uma infraestrutura pública, gratuita e contínua. O local foi escolhido por oferecer segurança e visibilidade livre de obstruções no horizonte, garantindo a recepção otimizada dos sinais.
Benefícios para múltiplos setores
A estação fornecerá correções RTK gratuitas via internet com precisão inferior a 3 centímetros em um raio de aproximadamente 50 quilômetros, abrangendo cerca de 24 municípios paranaenses e catarinenses. Entre os principais setores beneficiados destacam-se:
Agricultura de precisão: Redução drástica de falhas e sobreposições no plantio, pulverização e aplicação de fertilizantes, gerando economia expressiva de insumos, sementes, defensivos e combustível.
Engenharia e infraestrutura: Maior rapidez e segurança em levantamentos topográficos, projetos, terraplenagem e locações, evitando retrabalhos em obras públicas e privadas.
Ciência, meteorologia e aviação: Apoio a estudos atmosféricos para previsão do tempo, monitoramento ambiental, suporte à Defesa Civil em desastres naturais e dados de referência para futuras rotas e aproximações aéreas.
Estrutura, custos e parcerias
O projeto é fruto de uma forte articulação institucional. A Prefeitura de Pato Branco entrará com a cessão do espaço no aeroporto, fornecimento de energia e internet, além da base de concreto. A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR Câmpus Pato Branco), por meio de seu curso de Engenharia Cartográfica e de Agrimensura, será a proprietária e operadora dos equipamentos em conjunto com o IBGE.
Custo de R$ 300 mil
Para que a estação entre em funcionamento, o projeto demanda captação de recursos no valor de R$ 300.000,00, destinados à aquisição do conjunto de ponta importado da Suíça, composto pelo receptor geodésico Leica GR50 Highline e pela antena Leica AR20, que já se encontra disponível na filial da fabricante em Curitiba.
As empresas, cooperativas e instituições que apoiarem a iniciativa por meio de doações terão ampla visibilidade institucional, associando suas marcas a um marco tecnológico e deixando um legado permanente de inovação e desenvolvimento para toda a comunidade regional. A Associação Empresarial vai apoiar o projeto para sua efetivação.
