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Artigo: Mercado não perdoa

segunda, 02 de fevereiro de 2026

O Crepúsculo do gigante: Correios e a miopia da inovação

O cenário atual da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) é o retrato de uma instituição que se deixou embriagar pelo conforto do monopólio enquanto o mundo passava por sua porta em alta velocidade. O que antes era uma soberania inquestionável sobre o fluxo de correspondências, hoje se assemelha a um transatlântico pesado tentando manobrar em um canal dominado por lanchas rápidas. Por décadas, a estatal operou protegida por leis que garantiam exclusividade, mas a digitalização e o e-commerce transformaram a logística em uma arena global de altíssima performance.

Enquanto a empresa lutava contra o sucateamento e gestões politizadas, a iniciativa privada — como Mercado Livre e Amazon — construiu malhas próprias, ditando novos padrões de entrega no mesmo dia e rastreio em tempo real. A situação guarda semelhança com a Kodak, - lembram da gigante da fotografia analógica? - que ignorou a era digital para não canibalizar seu lucro com filmes analógicos e acabou sucumbindo à tecnologia que ela mesma ajudou a criar. Em 2025, os Correios registraram prejuízos bilionários, superando R$ 6 bilhões apenas até o terceiro trimestre, exigindo socorros financeiros de R$ 12 bilhões que pesam no Tesouro Nacional.

Esse fenômeno não é isolado: o déficit das estatais federais atingiu R$ 5,1 bilhões no ano, impactando outras gigantes como Emgepron (empresa pública na área Naval) e Infraero, vítimas de uma gestão governamental que prioriza o aparelhamento em vez da eficiência de mercado. A falta de agilidade para se adaptar à nova realidade social empurrou a estatal para uma encruzilhada terminal. Ou os Correios se reinventam radicalmente e rápido, ou continuarão o lento processo de "falência assistida", tornando-se irrelevantes diante de um consumidor que não aceita mais a ineficiência. A história é implacável: a Kodak foi vítima do pixel; os Correios podem ser a próxima vítima do "clique" de compra no celular que não conseguem mais entregar.

Por: Roberto Ivan Rossatti - Jornalista 

 

Fonte: Assessoria de Imprensa

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